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O Split Payment vai chegar quietinho e o seu caixa vai sentir.

1 de jul.
3 min de leitura

Você já teve aquele mês em que tudo correu bem nas vendas, os clientes pagaram, o movimento foi bom  e mesmo assim, na hora de pagar a folha ou o fornecedor, o dinheiro simplesmente não estava lá?

 

Se a resposta for sim, você já conhece o que o Split Payment vai fazer com o seu negócio. Só que dessa vez, não vai ser culpa do cliente que atrasou. Vai ser a nova regra tributária fazendo isso todo dia, em cada venda, sem avisar.

 

O que é o Split Payment (sem complicar)...


A Reforma Tributária trouxe um mecanismo chamado Split Payment  que em bom português significa: o imposto vai ser retido na hora que o dinheiro entrar na sua conta.

 

Antes, você vendia, recebia o valor cheio e só depois repassava o imposto ao governo. Agora, o sistema vai reter automaticamente a parte do tributo no momento da transação. Você recebe o valor já descontado.

 

Parece um detalhe.

Não é.

 

O problema não é o valor.

É a frequência.


Sabe aquela torneira que pinga?

Uma gotinha de nada. Você nem ouve. Mas vai lá no final do mês ver a conta de água.

 

É exatamente assim que o Split Payment vai funcionar para as empresas que dependem do GIRO para cobrir a operação.

 

Pensa comigo: você trabalha com estoque curto, negocia prazo de compra com fornecedor, usa o que entra hoje para pagar o que vence amanhã. O caixa é apertado, mas funciona porque você conhece o ritmo do negócio.

 

Com o Split Payment, aquele valor que antes ficava na sua conta por alguns dias, aquela "folga" que você usava para girar  vai ser retido na fonte. Todo dia. Em cada venda.

 

No dia 1, parece pouco. No dia 15, você começa a notar. No dia 30, na hora de pagar a folha de pagamento ou honrar o boleto do fornecedor, o caixa vai estar menor do que você estava acostumado.

E você vai ficar se perguntando: "mas as vendas foram normais esse mês, o que aconteceu?"


Um exemplo real (sem nome, mas muito comum)

Atendo um cliente aqui na DUES  comércio, giro rápido, margem justa. Ele fatura bem, mas opera no limite do caixa. Vive do movimento diário para fechar o mês.

 

Quando fizemos a simulação do impacto do Split Payment na operação dele, descobrimos que ele vai receber, todo mês, uma média de R$11 mil a menos no caixa disponível mesmo faturando exatamente igual.

 

Não é porque ele vai pagar mais imposto. É porque o imposto que antes ficava na conta por 20, 30 dias antes do vencimento, agora vai ser retido na hora. O dinheiro que ele "emprestava" do próprio caixa para girar a operação... vai sumir.


Onze mil reais por mês de diferença. Para quem opera apertado, isso é folha de pagamento.


Quem vai sentir mais?


Não é todo mundo que vai sentir na mesma intensidade. Mas se você trabalha com giro rápido, estoque curto, prazo de compra com fornecedor ou folha de pagamento pesada  o impacto vai ser mais direto e mais rápido.


Não é o fim do mundo.

Mas exige atenção.


O Split Payment não vai destruir o seu negócio. Mas vai expor, de forma cruel, quem não tem controle financeiro. E vai apertar ainda mais quem já opera no limite.

 

A diferença entre o empresário que vai passar por essa transição sem susto e o que vai se perguntar "o que aconteceu com o meu caixa" está em UMA coisa: entender o que está chegando antes de sentir no bolso.

 

Se você ainda não conversou com o seu contador sobre isso, esse é o momento.

 

 

André Bernini — Diretor de Operações da DUES CONSULTORIA EMPRESARIAL



 
 
 

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